segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Objetivo Maratona - Ponto de situação

Olá pessoal, cá estou eu outra vez!
Sentiram a minha falta? Pois...Ok, tudo bem. Eu vou aparecendo na mesma.
Como disse no post anterior, tenho andado com alguma preguiça para escrever aqui no blogue. Entre outras coisas, penso a razão principal foi ter sido atacado por algum cansaço. Os últimos dois meses foram bem puxados em termos de km, além dos três treinos durante a semana, fiz sempre um treino mais longo ao fim de semana. Juntando os treinos para o Trail do Almonda, nunca corri tanto como nesta altura.
O maior treino deste período aconteceu no sábado dia 24 de Agosto, cheguei aos 31 km!
Se não fosse a companhia, muito dificilmente faria este treino.
Às 7.30h  já Eu, o João Lima, a Isa, o Sílvio Horta e o Francisco Dias, estávamos no Parque das Nações a iniciar o treino. Nunca treinei tão cedo, mas adaptei-me rápido.
A Isa tirou umas fotos,

Na frente, Eu e o Sívio
Atrás, o João e o Francisco
Eu e o Francisco
A Isa já no final do treino
Obrigado a todos pela companhia.

A ideia era ir até Alcântara, voltar, dar uma volta pelo rossio e terminar no local da partida. Seriam 30 km.
Estes treinos em conjunto são muito bons, vamos falando sobre diversos assuntos e os km vão passando mais facilmente. Tirando umas pequenas paragens para abastecer de água, corremos o tempo todo, embora a um ritmo não muito elevado. Mas o mais importante tem sido habituar o corpo a tantos km.
O João teve um pequeno problema num joelho e parou algumas vezes, o resto do pessoal ia correndo e voltava para trás para o acompanhar quando ele começava novamente a correr. Devido a esta situação, acabei por fazer 31 km! Nunca tinha corrido tanto.
Já percebi que a parte mental vai ser decisiva no dia da Maratona. Até aos 20 km eu já sabia o que esperar, estes treinos ajudaram-me a perceber o que se passa dos 20 aos 30 km. A experiência é muito importante e neste momento correr até aos 31 km já não é novidade para mim. Eu disse que não é novidade, não que passou a ser fácil. Agora já sei a que km é que certas dores aparecem ou quando a mente começa a vacilar. E dos 31 aos 42,195 km ? E o muro? Não faço a mínima ideia. Mas tenho respeito.

Na semana que passou reduzi os treinos e o longo do fim de semana só teve 15 km. Esta semana também será calma, visto que no sábado vou participar na Meia Maratona de São João das Lampas.

 
Será a minha estreia e estou muito curioso sobre a prova, dizem que é muito bem organizada e também difícil. Será interessante ver como me safo.

Falta cerca de um mês para o grande dia, já não vou fazer treinos de 30 km. Vou participar na corrida do Tejo e na Corrida do Destak e antes do inicio de cada uma destas provas, farei um treino.
Resumindo, estou confiante para o desafio que terei pela frente. Mas vai ser muito difícil.

Depois farei o relato da MMSJL.

Boa semana e bons treinos!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Como correm os meus treinos

Ultimamente, tenho tido pouca vontade de escrever aqui no blogue.
Tenho andado aqui com uns pensamentos que me atrofiaram a vontade de escrever. Não é nada de grave, há coisas piores e esta situação acabará por passar. A corrida tem sido uma grande ajuda nesta altura.
Então o que é que ando a fazer em termos de corrida?
Depois de ter feito a inscrição na Maratona, logo tratei de arranjar um plano de treinos. Procurei na internet e falei com algumas pessoas, nomeadamente o João Lima que partilhou comigo o seu (e da Isa) plano de treinos. Mas como eu gosto de dar um toque pessoal ás coisas, misturei tudo e criei o Plano de treinos do Vitor para acabar uma Maratona em condições razoáveis.
O plano consiste em cinco treinos com dois dias de descanso pelo meio. No final dos treinos, faço alongamentos e abdominais.
Durante os dias de semana, descanso, treino (10 km com algumas séries pelo meio), (10/12 km de corrida leve),(10 km com 3/4 km a um ritmo um pouco mais forte), descanso. No fim de semana corro os dois dias, um treino leve (5/10 km) e um treino longo (25 km ou mais), a ordem varia conforme a disponibilidade ou companhia. Ao treino longo é proibido faltar.
É muito? É pouco? Até agora tem corrido bem, os dias de descanso tem sido suficientes.
Mas estou sempre atento a sugestões que alguém experiente queira fazer.

Falando dos treinos, durante a semana tenho cumprido o estabelecido no papel. Os treinos mais técnicos de 3ª e 5ª  tem custado, mas faço um esforço porque sei que me vão dar mais resistência e (alguma) velocidade.
Durante o fim de semana, tenho feito os treinos longos com companhia.
No domingo dia 11, estivemos em Cascais a correr 25 km. O trajecto era (+-) o dos 20 km de Cascais, apenas aumentámos uns km na altura do retorno. A zona do guincho é muito bonita, mas naquele dia também estava muito calor. Sofremos um pouco. Temos de agradecer á filha e ao genro do João pelas águas fresquinhas.
Aqui está a foto de grupo.

Eu, João, Isa e Pedro
No domingo passado, corremos 28 km . Partimos do estádio 1º de Maio e fizemos o mesmo percurso da antiga maratona, mas só até ao Cais do Sodré. Desta vez além dos quatro da semana anterior, também compareceu o casal  Carla e Jaime ( andam mais de bicicleta, mas também correm).
O início do treino foi ás 8 h, logo a temperatura estava um pouco mais baixa.
Foi um grande treino, fomos falando e os km passaram num instante. A Carla e Jaime estavam a pensar correr metade da distância, acabaram por correr 22 km. Com companhia é assim, vamos um pouco mais longe.
Pessoalmente, senti-me muito bem e fiquei muito contente por não ter tido qualquer tipo de dor. E subi a Av. Almirante Reis sem parar, quando já tinha cerca de 24 km nas pernas!
A Carla e o Jaime, que tinham ficado no Cais do Sodré, juntaram-se a nós no final e ainda trouxeram uns bolinhos e Coca-Cola. Ficámos um pouco em agradável convívio.

Jaime, Eu, João, Pedro, Isa e Carla
Obrigado a todos por uma manhã bem passada.

No próximo sábado mais outro treino longo, desta vez 30 km. Espero que corra tão bem como este.

Boa semana para todos!


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos 2013

 
Depois de participar no Trilho das Lampas, logo disse que gostaria de participar em mais provas nocturnas. Ouvi falar no TNLO e em como era uma prova bem organizada e em que as inscrições esgotavam rápido. Assim  que as inscrições abriram, logo tratei de fazer a minha. Esgotaram passados cinco dias.

Este fim de semana era o último da Feira Medieval, portanto Óbidos estava a abarrotar de gente. Devido às provas de Trail, havia uma mistura curiosa de pessoas em passeio e de atletas todos equipados para as respectivas provas. Não havia engano possível, era dali que o TNLO partia. O UTNLO (50 km) tinha a sua partida às 21 horas e o TNLO (25 km) às 21h45. Antes da partida houve um pequeno briefing da organização sobre o percurso e as marcações do mesmo. Nessa altura já tinha encontrado a Rute e mais duas pessoas que ela conheceu através do seu blogue, a Andreia e o Marcelo. O Artur Bernardo, amigo da Rute, juntou-se a nós pouco depois da partida. Os blogues são um bom meio para conhecer pessoas que partilham o mesmo gosto pelas corridas e também pela natureza.
Os primeiros momentos da prova são passados em corrida lenta pelas ruas da vila, as pessoas a passear abriram alas para a nossa passagem. Foi engraçado, já tinha estado por várias ocasiões em Óbidos, mas nunca imaginei que ia ser aplaudido ao mesmo tempo que corria pelas suas ruas.
Entretanto, passámos por um  pórtico que dava, de forma oficial, início à prova.
Neste tipo de provas, ainda por cima com 25 km, passamos por tantos sítios e tantos tipos de piso que me é difícil estar a localizar o relato em termos de km.
Se eu pudesse, em certos lugares puxava de um bloco de notas e punha no papel todas as sensações ainda frescas. Demorava era muito mais tempo a concluir a prova, além de que à noite não dá muito jeito estar a tirar notas.
Como não tirei apontamentos, vou falar sobre algumas partes do percurso de que me lembro melhor.
Lembro-me por exemplo, de uma descida muito acentuada que teve de ser feita muito devagar e com extremo cuidado. Havia pedras, raízes e a terra estava muito solta. Uma pequena distração e era o pessoal a bater com o rabinho no chão, aconteceu-me uma ou duas vezes. E como os atletas iam todos muito juntos, se alguém escorregasse por ali abaixo era perigoso para quem ia à sua frente.
Rapidamente chegámos ao abastecimento dos 8 km. Tínhamos perdido contacto naquela descida e neste abastecimento reagrupámos . O Marcelo que tinha um andamento mais forte, desapareceu de vista.
Depois deste abastecimento, lembro-me de alguns km feitos em estradões de terra batida em que se correu a bom ritmo. Nesta altura já tinha confirmado que o meu novo frontal dava bastante luz (dupliquei a potência em relação ao anterior). Foi nesta altura que me espalhei ao comprido. Já no Trilho das Lampas tinha acontecido o mesmo, felizmente que as quedas não tem sido em zonas de muito desnível. Mas quando o terreno é mais ou menos plano, baixo a concentração e... pumba. Basta uma pequena pedra ou raiz para me levar ao chão. Ainda bem que não houve consequências físicas.
Houve uma altura que me lembrei do Almonda, quando passámos por uma zona totalmente coberta de arbustos e em tivemos de nos baixar para conseguir passar. Também houve canaviais, em que era importante usar as mãos para desviar as folhas da nossa cara.
Um tipo de piso de que não gosto mesmo nada é o piso de areia. Houve algumas zonas com este tipo de piso e nestas altura é difícil progredir no terreno. Não consigo imaginar o que é fazer uma maratona na areia (UMA).
Também tivemos que passar por pequenas pontes de madeira, o que é sempre interessante.
O que não faltou foram troncos de árvores caídas, a exigir muita atenção e também algum esforço para as ultrapassar.
Outro tipo de piso que criou dificuldades, foi o piso com erva que tapava alguns pequenos buracos. Um pé mal colocado e podia haver uma torção.
Ainda não falei de subidas, mas elas estiveram presentes. Tiveram a sua dificuldade, mas a nossa determinação levou a melhor. O problema maior foi a terra escorregadia, houve necessidade de nos agarrar-mos a ramos para não cair.
Nestas provas nocturnas não dá para tirar grandes fotos. A única que escapou foi esta do abastecimento dos 15 km.


Outro aspecto de que tenho de falar são os cursos de água. Houve provas em que tive de ultrapassar cursos de água, mas havia sempre a hipótese de não molhar os pés. Desta vez, essa hipótese não se colocou. Se não me engano houve três ocasiões em que a água esteve bem presente. Na primeira, ficámos com água até ao tornozelo. Na segunda já foi até ao joelho e tivemos que nos ajudar uns aos outros para sair de dentro de água. Correr com as sapatilhas cheias de água foi uma sensação nova para mim, ficam mais pesadas e dificultam um pouco mais a passada. O terceiro encontro com a água foi espectacular.
Nesta altura tive uma distração e só quando me chamaram é que me apercebi que ia enganado. Volto para trás e vejo a malta a entrar num ribeiro e a ficar com água pelos joelhos. Ouço um homem a dizer que tinha claustrofobia e não entrava no túnel.
Túnel? Mau, querem ver que é tipo forças especiais e temos de passar um túnel cheio de água e lama só com o nariz de fora. Felizmente não se chegou a tanto. Era um túnel com 15 ou 20 metros de comprimento, tinha água pelos joelhos, era baixo e não cheirava muito bem. Tivemos de nos curvar para lá entrar. O tal homem foi convencido a entrar e todos passámos sem problemas. Gostei deste obstáculo, penso que toda a gente gostou pois ia tudo alegre e a comentar a situação. O cheiro é que era de evitar.
As marcações do percurso estavam bem feitas, mesmo assim houve enganos durante alguns metros "Epá, alguém esta a ver as fitas? Eu não vejo nenhuma". Nessas ocasiões calhou ser eu que ia à frente do grupo, supostamente atento às marcações, mas bastava uma pequena desatenção e lá tínhamos de voltar para trás. Sempre que se via alguém ir na direção errada, gritava-se a avisar.
Mesmo no final da prova, ainda tivemos uma subida com degraus de madeira até lá acima às muralhas, local onde acabou a prova. Foi uma parte final bastante dolorosa. 
A meta é engraçada, no final dos degraus passamos por um pequeno pórtico e deparamos logo com pessoas a aplaudir quem chega. Acabaram por ser 26 km de prova, demorámos 4h04 a concluir. Ficámos nos lugares 324 a 327 entre as 390 pessoas que terminaram a prova, uma prestação muito boa de todos. Tivemos direito a uma caneca alusiva à prova, a juntar à t-shirt e a uma pequena garrafa de ginjinha que recebemos com o dorsal. Também houve, entre outras coisas, uma sopa que caiu muito bem no estômago.

Esta prova merece a fama que tem, percebe-se a razão de as inscrições esgotarem num instante. Prova bem organizada e com dificuldades variadas e boas. A hora de partida foi para mim um desafio aliciante, nunca tinha corrido quase até às 2h da manhã e gostei muito. Para o ano que vem, vou estar atento às inscrições para não falhar nova presença.
Gosto de fazer este tipo de provas em grupo, poder durante a corrida comentar com os companheiros de desafio as dificuldades por que se passa. Gosto deste sentimento de partilha das dificuldades e do prazer que é chegar ao final. Posso dizer que fui feliz durante estas 4 horas.

Obrigado à Rute, à Andreia, ao Artur Bernardo e ao Marcelo (durante a parte inicial da prova) pela companhia.

Boa semana para todos.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Treinos longos

Agora que estou inscrito na Maratona de 6 de outubro, tenho que colocar km nas pernas. Até aos 21 km não tenho problemas, a partir daí a história é outra.
Foi a pensar nisso que no sábado (dia 20) decidir correr desde a Expo até ao museu da electricidade e voltar, são cerca de 26 km. O percurso foi um pouco monótono, mas tenho que me habituar a estas retas. Corri quase sempre a 6.30/km, apesar do calor aguentei bem o ritmo. Lá está, foi a partir dos 20/21 km que comecei a ter problemas. Apareceu uma pequena dor no pé esquerdo, não muito forte mas incomodativa. Fui obrigado a andar e correr até aos 23 km, a partir daí desmoralizei e fiz os três últimos km a andar. Demorei 3 horas a concluir o treino.
Tive a prova que, correr durante muito tempo em estrada não é igual a correr durante muito tempo em trilhos. Surge sempre uma qualquer dor desconhecida até aí.
Durante a semana também aumentei o número de km corridos, nesta que passou corri 38 km divididos por 4 treinos.
Para este fim de semana tinha mais um treino longo, mas desta vez na companhia do João Lima e da Isa.
A ideia era correr 27 km, desde Cascais até Belém e voltar até Algés, sem grandes preocupações de tempo.
Não vou falar muito em pormenor do treino, aconselho a leitura dos blogues da  Isa e do João. Está lá tudo sobre o nosso treino longo.
Direi apenas que senti melhorias em relação ao anterior treino longo, não tive a tal dor no pé esquerdo, o que me deixou muito contente. É claro que a partir dos 20 km as dificuldades aumentam, mas aos poucos vai começando a custar menos.
A boa companhia deve ter ajudado, vamos falando e os km vão passando sem se dar por eles.
Depois deste treino fiquei mais confiante em relação ao objectivo Maratona.


Obrigado à Isa e ao João pela boa companhia.

No próximo sábado, o treino longo é o Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos (25 km), vou participar pela primeira vez e já estou ansioso que chegue a hora da partida.

Boa semana para todos.


domingo, 21 de julho de 2013

A minha 1ª Maratona

 
Eu sabia que um dia ia correr uma Maratona, não sabia era quando.
Nos últimos meses, devido à minha participação no Trail do Almonda (30 Km), aumentei bastante a duração dos meus treinos e fui ganhando confiança em relação às minhas capacidades físicas. Nos dias seguintes à prova, feita em condições muito difíceis, pensei pela primeira vez na Maratona. Comecei a pensar "Se consegui fazer esta prova, se calhar consigo fazer uma Maratona".
Depois de muito pensar nos treinos já feitos e naqueles que ainda posso fazer, na 6ª feira entrei de forma decidida numa agência do BANIF e fiz a inscrição na Maratona Rock 'n' Roll de Lisboa (06.10.2013). Vou correr uma Maratona!!!
Sempre tive muito respeito pela Maratona e agora que me preparo para participar numa, esse respeito ainda é maior. Neste momento ando entusiasmado com planos de treino, nutrição e em ler tudo o que me possa ajudar a concluir a prova em boas condições. Estou também receptivo a conselhos de pessoas que já tenham feito a Maratona.

Sonho com o dia em que termino a Maratona e recebo a respectiva medalha.

Boa semana a todos.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Carlos Sá vence a Ultra-Maratona Badwater !!!!!

És o nosso Orgulho!

Grande feito do desporto Português!
Correr 217 km com temperaturas altíssimas não é para qualquer pessoa.
Vou estar atento ao destaque dado a esta notícia pelos média.

PARABÉNS CARLOS SÁ

terça-feira, 9 de julho de 2013

Trail do Almonda 2013

 
Em abril deste ano, fiquei bastante arrependido de não ter participado no Trail de Sesimbra e ter optado pela Corrida do Benfica. O gosto pelas provas de trilhos estava a aumentar e Corridas do Benfica já tinha feito muitas, além disso os relatos dos amigos da blogosfera diziam maravilhas da prova. Depois de ler esses relatos, comecei logo a procurar provas que me fizessem esquecer aquilo que tinha perdido.
Acabo por me inscrever no 1º Trilho das Lampas (18 km) e ao mesmo tempo, reparo numa prova a 7 de Julho - Trail do Almonda (30 km). Já tinha feito Meias Maratonas, mas 30 km em trilhos seria uma coisa muito diferente. De forma instintiva, faço a inscrição.
A partir dali, o meu objetivo passou a ser aumentar os km. Aumentei a duração dos treinos semanais e fiz algumas provas, entre elas duas Meias Maratonas. Também comprei uma mochila de hidratação e corri várias vezes por Monsanto, treinos de 20/25 km. Portanto, acho que me preparei de forma razoável para aquele que seria o meu maior desafio desportivo.
Cerca de duas semanas antes da prova, a temperatura aumenta de forma bastante acentuada. Surgem valores muito acima dos 30º, em alguns dias chegam mesmo aos 40º.
A quatro dias da prova tinha a certeza que ela seria feita debaixo de muito calor. Começo a ficar um pouco apreensivo e mais apreensivos ficaram familiares e amigos. Tentaram demover-me de participar na prova com frases tipo "Tás maluco ou quê!!! Ainda ficas por lá caído" ou  "Correr debaixo de tanto calor é uma irresponsabilidade!!!". Compreendi perfeitamente as suas preocupações, eu também estava preocupado. Mas uma coisa que eu não sou é irresponsável, informei-me mais ainda sobre cuidados a ter nestas situações e cheguei à conclusão que ia participar na prova. Levaria  a mochila de hidratação bem aviada, boné, protetor solar, telemóvel para uma eventual emergência, nos dias anteriores à prova beberia muitos líquidos e descansaria bem. Assim fiz.

Domingo, acordo às 5:30h para um refrescante banho e tomar o pequeno almoço. Já tinha deixado tudo pronto de véspera para não perder muito tempo, a viagem demorava cerca de uma hora e ainda tinha algumas dúvidas no trajeto. Mas correu tudo bem, e pouco passava das 7 horas quando cheguei a Vale da Serra. Ao aproximar-me do local, depressa reparei na imponente serra que daqui a pouco tempo seria uma adversária de respeito.

 
Como previsto, àquela hora já o calor dava a entender como seriam os 30 km de prova.

Levanto o dorsal, procuro uma sombra e fico por ali a ver o pessoal da organização que ainda dava os últimos retoques na zona de partida. Vou também lendo as principais notícias do dia no telemóvel.
O controlo 0 seria às 8:30h, fui ao carro preparar-me para a prova. Ainda demorei algum tempo.


Já no local da partida, encontro a Rute que também se atirou de cabeça a este desafio. Pensei logo que teria companhia durante a prova. Falámos um pouco dos nossos receios (sobretudo o calor) e dou uma olhadela ao plano de prova. É verdade, pela primeira vez fiz um apontamento sobre a altimetria da prova.
O apontamento era assim :
- Até aos 11 km, sem subidas muito acentuadas
- Dos 11 aos 14 km, uma subida longa e acentuada
- Dos 14 aos 16 km, descida muito acentuada
- Dos 16 aos 23 km, aquilo que me parecia uma das partes mais difíceis da prova (subida longa e acentuada, intercalada com pequenas zonas planas e descidas curtas)
- Dos 23 aos 26 km, descida acentuada e longa
- Dos 26 aos 27 km, subida muito acentuada
- Dos 27 aos 28 km, descida muito acentuada
- Dos 28 até ao final, havia algumas subidas mas nada comparado com as anteriores.
De forma muito simples e ingénua, era este o apontamento.
Os abastecimentos seriam de 5 em 5 km, haveria 5 etapas antes de finalmente cortar a meta. A prova seria feita etapa a etapa para não desmoralizar.

Às 9 horas é dada a partida, o sol ainda não estava no máximo mas já queimava.
As duas primeiras etapas (11 km) foram feitas sem grandes problemas, "apenas" o calor atrapalhava.
Podem ver em baixo a grande Analice Silva num dos abastecimentos.


O percurso foi mais ao menos como estava nos meus apontamentos, não houve grandes subidas e o piso foi basicamente terra batida.


 
O suor era tanto que a pala do boné pingava. O boné além de proteger do sol também evitava que o suor fosse para a vista, com estas temperaturas é indispensável.
Até aqui ainda tirei uma quantidade razoável de fotos, mas as etapas seguintes fizeram diminuir a minha vontade de continuar a focar a paisagem.
Segundo os meus apontamentos, agora era a vez de uma "subida longa e acentuada".
E foi verdade, foi longa, acentuada e feita dentro de um "túnel de calor".

 
Como podem ver pela imagem acima, esta subida foi toda feita em trilhos apertados, com muitos pedregulhos no meio do caminho e com mato a tapar as laterais. Não corria uma aragem e poucas sombras havia. Esta parte foi feita a andar, não havia outra hipótese. De vez em quando lá aparecia uma pequena sombra e parávamos um pouco.

Foto tirada pela Rute, dentro do "túnel"
Eu olhava para o relógio, via os km e dizia "segundo os meus apontamentos devemos estar quase a chegar à descida". E descer é melhor, não é? Talvez se pudesse correr um pouco.
Finalmente começámos a descer, mas não era bem aquele tipo de descida que estávamos à espera. Já sabíamos que ia ser uma descida muito acentuada, não sabíamos era o tipo de piso. O piso tinha muitos pedregulhos e também irregularidades, nalguns casos, de cerca de meio metro. Descíamos com muito cuidado mas não de forma muito lenta. Foi exigido um grande esforço aos nossos joelhos. Depois de um grande esforço e concentração, acabou a descida e deu para correr até ao abastecimento. Este abastecimento foi quase aos 17 km e era muito importante, a etapa seguinte ia ser demolidora e por isso demorámos um pouco mais do que o costume. Além de beber e comer, molhámos as cabeças na tentativa de nos refrescar-mos um pouco. O calor estava agora no auge.
Quando iniciámos esta difícil etapa, estava muito abafado e sentíamos a onda de calor a tocar nas nossas caras e como que a empurrar-nos para trás. Uma sensação muito má.
O percurso era a subir e não havia muita vegetação, ansiávamos por uma sombra que não apareceu. Pode-se dizer que nesta altura estávamos a sofrer bastante, o não haver uma sombra desmoralizava muito. A certa altura vemos uma tenda com pessoas lá dentro, não podia já ser outro abastecimento. Era uma espécie de comemoração familiar, tudo a comer e a beber dentro da tenda. Podia ser uma miragem mas não, era real. Não eramos dos primeiros a passar por ali, por isso não nos ligaram nenhuma. "São mais dois malucos das corridas" terão pensado.
Seguimos o nosso caminho, nesta altura a andar. Vou agora contar um episódio que demonstra bem a solidariedade no Trail. A certa altura parámos debaixo de uma amostra de sombra, a coisa estava muito complicada. Vem a umas dezenas de metros, dois atletas, um homem e uma mulher. Vão-se aproximando e quando chegam ao pé de nós, o homem, ao olhar para as nossas caras, decidiu despejar uma parte da água duma garrafa, pelo pescoço da Rute e depois pelo meu. " Não pode ser mais, pois também já não tenho muita" disse ele. Quer dizer, estávamos numa parte difícil do percurso e este Homem, que não nos conhecia, decide partilhar a pouca água que tinha. Foi um gesto de uma enorme generosidade. Agradecemos e seguimos com eles um pouco. Entretanto no Facebook da prova, encontrei esta fotografia onde estão os dois. 

 
Pelos dorsais, trata-se do Carlos Pinto Coelho e da Isabel sequeira da equipa Mundo da Corrida. Mais uma vez, Muito Obrigado pela ação.

Depois de muito subir, chegámos a uma zona mais plana em que pudemos correr. Apesar do muito calor que fazia, a correr não sentimos tanta dificuldade como naquela subida a andar. Entretanto, apanhámos outros atletas e fomos juntos até ao abastecimento. Ao longe viam-se as torres da energia eólica, tendo alguém dito que até as ventoinhas estavam paradas por falta de vento. Foi um alívio ter ultrapassado uma das piores fases da prova.
Neste abastecimento, além de beber e comer, também enchemos as bolsas das mochilas com água fresca. Aproveitámos a pequena sombra e descansámos um pouco. Alguns atletas ficaram por este abastecimento, o sofrimento era muito.
Depois de ver que estávamos em razoáveis condições, seguimos caminho. Havia 22 km de prova, ainda faltava muito para o fim.
Segundo os meus apontamentos, agora iria aparecer uma descida acentuada e longa. Eu li alguns relatos da prova de 2012 e estranhei algumas pessoas terem dito que o pior eram as descidas. Pude comprovar que esta descida exigia um esforço tremendo, a certa altura as dores eram tantas que pensei que o melhor era estar a subir. Foi uma descida muito longa e com muitas pequenas pedras no meio do caminho. Fazia doer não só a zona dos joelhos como também a palma dos pés. Foi feita a uma boa velocidade, tendo em conta a concentração que exigia. A certa altura vemos um homem sentado no meio do caminho e pensámos que tinha caído. Travámos e perguntámos o que se passava, estava apenas a descansar as pernas do enorme esforço. Continuámos, queríamos acabar o mais rápido possível com aquele sofrimento, mesmo sabendo que a seguir vinha uma forte subida. Pouco depois de terminar a descida apareceu, qual oásis, o último abastecimento.
Era a última oportunidade para abastecer e refrescar bem. Estávamos com (+-) 26,5 km, tanto eu como a Rute já havíamos passado a nossa maior distância em provas. O pensamento era, cada vez mais, de que agora só tínhamos era que terminar a prova.
Era a vez de mais uma subida acentuada, era complicada porque já tínhamos quase 27 km nas pernas, mas o pior era o calor que nos toldava os pensamentos. Num dia com frio tenho a certeza que a subida ofereceria menos dificuldade, mas naquelas condições foi mau demais. Quando parecia que ia aparecer uma zona plana, logo vinha mais outra subida. Estávamos a desmoralizar a olhos vistos, quando finalmente atingimos um caminho plano e conseguimos correr um pouco. Não demorou muito até se começar novamente a descer, mais uma daquelas descidas acentuadas e cheias de pedras que davam cabo dos joelhos e pés.  O que nos animava era saber que estávamos a chegar ao km 28 e que "só" faltavam 2 km e tal para o fim.
Se bem se lembram, os meus apontamentos diziam que nesta altura "havia algumas subidas mas nada comparado com as anteriores" , foi o que me pareceu olhando para o gráfico do percurso. Pois bem, foram os  km mais difíceis que fiz em provas. Deve ter sido por pensar que já faltava pouco, só que a cada pequena subida aparecia outra e outra e nunca mais se conseguia ver a Igreja perto da zona de partida/chegada. Devo confessar que nesta altura alguns palavrões foram ditos, não digo se por mim, se pela Rute ou pelos dois. Mas foram perfeitamente justificados.
Talvez no km 29, vemos dois rapazes junto a uma carrinha com garrafões e um enorme bidon de água. Deu para beber bem, molhar a cabeça e ficar um pouco mais frescos. O percurso continuava sobe e desce e cheio de pedras quando finalmente avistamos a Igreja de Vale da Serra. Até que enfim!!! Ainda houve mais algumas subidas antes de conseguimos correr um pouco para passar a meta com um tempo de 6h12m em mais de 30 km (o meu Garmin acusou 30,8 km). Só havia duas pessoas na meta a apontar os dorsais, a maior parte estava no pavilhão a almoçar e a ver a entrega dos prémios.
Apesar das dificuldades estávamos em condições aceitáveis.  Bebemos água, comemos uma banana e logo tratámos de saber onde era o banho. Nos últimos km já vínhamos a pensar no banho, e que bem que soube.
Fiquei com a certeza que consigo fazer estas distâncias e também que com esta temperatura não me apanham em provas longas. Se fosse no inverno,  seria para mim muito mais "fácil" e faria um tempo bastante inferior.
Fiquei contente por ter terminado, mas também penso no que poderia ter corrido mal.

Quero agradecer à Rute pela companhia, nestas condições e sozinho não sei se vencia o desafio. E quero também agradecer a todos os que aqui no blogue, me deram força e conselhos para enfrentar este mesmo desafio.

No link abaixo podem ver mais algumas fotos.
Fotos Trail do Almonda
 
Como a seguir a um desafio vem outro, já estou a pensar no Trail Noturno da Lagoa de Óbidos (25 km) a 3 de Agosto. A distância é menor e a temperatura também será muito diferente. Tenho é de arranjar um frontal mais potente.
Neste momento da minha vida, estes desafios estão a ser muito importantes.

Bons treinos para todos.