terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Meia dos Descobrimentos, Treino Solidário e...o Coração

Calma que o blogue não acabou, nem vai acabar.
Um dos motivos desta ausência, tem sido o grande volume de trabalho que tenho tido. Estamos na altura do inventário e a carga horária aumentou consideravelmente, não me apeteceu escrever.
Outro motivo, e não menos importante, foi ter começado a namorar com uma pessoa vossa conhecida. Mas já lá vamos.

Começando a por a escrita em ordem, no dia 8 de dezembro participei na 1ª Meia Maratona dos Descobrimentos.
Esteve um dia muito frio, cerca de 5 graus. Prefiro o muito frio ao muito calor.
Algumas fotos antes da partida.

Orlando, João, Eberhard, eu e a Isa



Uma novidade, antes da partida fui convidado pelo João Lima, para entrar para os "4 ao Km", aceitei e estou ansioso para estrear a amarelinha na São Silvestre dos Olivais.
Já na zona da partida, percebi que o João estava com vontade de dar o máximo e fazer um grande tempo. Eu decidi que ia fazer a prova com a Isa, ia ajudá-la a baixar das duas horas. A Isa não estava muito confiante, mas eu ia tentar puxar por ela.
Mal é dada a partida, o João desaparece de vista e fico eu e a Isa a combinar a melhor estratégia para a prova. Para baixar das duas horas, a Isa não podia começar muito lenta.
A ideia era que o ritmo fosse sempre nos 5.50/km, para nos últimos km apertar um pouco mais. Para minha surpresa, a Isa aguentou-se muito bem e corremos quase sempre a 5.30/km. Houve alturas em se abrandou um pouco, para a Isa se recompor, mesmo nessas alturas a Isa conseguia manter o seu belo sorriso.
O João é que nunca mais o apanhámos, estava com a força toda e fez um dos seus melhores tempos na meia maratona, 1.58.26. Passados cerca de 26 segundos, cheguei eu e a Isa, o objectivo foi atingido. Fiquei muito contente por ter ajudado a Isa a baixar das2 horas.
 
Mais algumas fotos.














Orlando, João, Sandra, Nuno, Isa e eu
Gostei muito desta prova, foi a 1ª edição e a organização esteve à altura. E também gostei do convívio com os amigos, foi uma grande manhã de domingo.
Aqui podem ver todas as fotos.

No sábado seguinte, participei no Treino Solidário correr Lisboa.
O objectivo deste treino, era ajudar as crianças da Casa Sol, levando alguns bens de primeira necessidade.
O treino realizou-se no bonito Parque da  Tapada da Ajuda, local em que está inserido o Instituto Superior de Agronomia ( ISA ).
A Isa frequentou o ISA, e foi a nossa guia durante o treino.
Tive a companhia da Isa, do João e da Marta. Antes do treino, a Marta foi convidada para pertencer aos "4 ao Km" e aceitou, estamos a criar uma grande equipa!
Era um treino, ninguém estava preocupado com tempos, mas sim apreciar a companhia e a bela paisagem.
Foi um percurso muito bonito, mas também teve subidas difíceis. Foi um treino de grande qualidade.
Algumas fotos.

 
 
Depois do treino, fomos à Casa Sol entregar os bens que tínhamos trazido e também cantar. É verdade, fomos convidados a cantar 3 canções de Natal. Cantar não é o meu forte, mas devo dizer que até gostei. E no meio de todos, ninguém se apercebeu da minha falta de qualidade.
 

 
Foi a primeira vez que participei num treino destes, gostei muito e conto participar noutras ocasiões.
 
O quê? Ainda não perceberam quem é a tal pessoa?
Não acredito, mas está bem eu digo, é a Isa. Estou a gostar muito de correr a seu lado.
 
 
 
Desejo a todos
 
Um Feliz Natal, com paz e muita saúde!
 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Trail da Serra de Montejunto

 
Nunca tinha ido a Montejunto, praticamente só ouvia esse nome quando os meteorologistas se referiam ao "sistema Montejunto Estrela".
Portanto, quando surgiu a oportunidade de correr durante mais de 20 km na serra de Montejunto, não hesitei.
Alguns dias antes da prova, fiquei a saber que teria a agradável companhia da Isa. Tudo fazia crer que esta seria uma grande aventura por trilhos até agora desconhecidos.

Quase a chegar a Vilar, local da partida, já dava para ver o tremendo desafio que tínhamos pela frente. Ao longe, era bem visível a enorme serra. E ao sair do carro, deu para ver o terrível frio que estava. Mas quem corre por gosto, só tem é de aguentar.

Com cerca de 15 minutos de atraso, partimos para a nossa aventura, o objectivo era conquistar a serra e voltar sem nenhuma mazela. E claro, apreciar a bonita paisagem.
Apesar de ter as mãos geladas, não consegui deixar de tirar fotos com o telemóvel.





Esta primeira parte da prova foi relativamente fácil, houve subidas, mas nada de extraordinário.
Por esta altura, já não havia dúvidas que ia ser uma prova com um percurso muito bonito. Como costumo dizer, correr na natureza não me cansa. Basta um olhar para um ponto bonito da paisagem, para logo a mente se esquecer das dificuldades.
À medida que subíamos, notava-se cada vez mais o frio e o vento.





Aos poucos, a paisagem foi mudando, havia agora mais rocha no horizonte. Era um sinal de estávamos cada vez mais lá em cima.


 
Corria-se agora em estradões cheios de pedras, junto a enormes ribanceiras.
Mais à frente surgiram dificuldades maiores, caminhos apertados, bastante inclinados e com pedras que se soltavam facilmente.




Com tempo frio, parece que apetece menos beber água, temos de nos obrigar a cada 15 minutos beber um pouco. O organismo precisa sempre de líquidos.
Quando chegámos ao fim desta subida, o vento apareceu ainda com mais violência, numa última tentativa de nos deitar abaixo. Não conseguiu.
Aqui, a paisagem era incrível, conseguia-se ver o mar ao longe. Que enorme sensação de liberdade!

 
São também imagens como esta, que me fazem gostar deste tipo de provas.
A seguir, tivemos uma descida acentuada e com muita erva a tapar eventuais buracos no piso. Estávamos atentos a esses buracos e às marcas laranjas a indicar o caminho. Devo dizer que não tivemos problemas com a sinalização do percurso.



Depois de subirmos mais um pouco, chegámos ao topo, às antenas. Agora era a descer até ao abastecimento dos 14 km. Aí, aproveitei o isotónico.
Passado o abastecimento, foi sempre a descer, num piso com muita pedra. Aproveitámos para correr durante o maior tempo possível, ainda era possível fazer um tempo abaixo das 4 horas.


Corremos em alcatrão algumas vezes, felizmente que não foi durante muito tempo.
As maiores dificuldades tinham ficado para trás, o nosso ritmo estava um pouco mais vivo.
Entrámos na povoação e corremos durante algum tempo pelas suas ruas, até chegarmos á meta com o tempo de 3h45m. Não era o principal, mas considero que foi um bom tempo. Seria um tempo melhor se houvesse menos fotos, mas em contrapartida, este relato seria muito pior.
No final, uma garrafa de vinho tinto, uma t-shirt técnica e a grande satisfação de ter participado no Trail da Serra de Montejunto.
Soubemos depois, que nem tudo tinha corrido bem, mas também sabemos que a Serra de Montejunto merece continuar a ter esta prova.


Aqui podem ver todas as fotos tiradas.



Queria agradecer à Isa, pela agradável companhia. A prova seria sempre bonita, mas assim ainda foi mais.

Domingo temos a Meia Maratona dos Descobrimentos, para correr em ritmo descontraído.

Bons treinos para todos!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Grande Prémio da Arrábida 2013


Depois de ter falhado a Corrida do Monge, estava ansioso pela participação nesta prova em Setúbal.
Participei em 2012 e gostei bastante, mesmo tendo chovido a potes durante quase toda a prova.
A organização esteve a cargo da A.A. Lebres do Sado e o percurso variou entre alcatrão e terra batida, numa distância de 12,5 km.

No primeiro km o pelotão corre compacto, atletas da organização controlam o andamento. A partir daí, cada atleta impõe o seu ritmo. Nesta altura, corre-se por entre prédios de habitação.



De seguida, passamos por uma zona de vivendas.

 
E finalmente chegamos ao piso de terra!


 
De amarelo, temos o atleta Eberhard, da conceituada equipa "4 ao Km"


 Outra zona de vivendas, antes de se iniciar uma subida de (+-) 2 km.



A subida de 2 km, foi a parte mais complicada da prova. Consegui fazer essa parte do percurso sempre a correr.



 

 Passada a subida, é altura de entrar no alcatrão e descer.


 Felizmente, ainda havia mais piso de terra!


 
Mais ou menos ao km 9, foi servido um pequeno copo de vinho Moscatel.
Já é famoso este abastecimento :)
Pouco depois, entramos novamente na estrada, o fim já estava próximo.



 Rapidamente se chegou ao jardim de Vanicelos, o local da partida.




Como prémio de participação, uma t-shirt técnica e uma pequena garrafa de vinho Moscatel.
Esta é uma prova bem organizada e de percurso bonito. Se tivesse menos alcatrão e mais piso de terra, ainda seria uma melhor prova. Mas continuo a gostar.
Se na mesma data não houver uma prova de trilhos com mais de 20 km, continuarei a participar.

Aqui podem ver mais fotos do GP da Arrábida


Boas corridas!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Trilhos de Casaínhos 2013

Passei a semana anterior a esta prova, a tentar recuperar de uma dor no gémeo da perna esquerda. Foi durante um treino em Monsanto, já quase no final, tive de parar e fazer dois km a andar. Nos dois dias seguintes estive completamente parado, depois corri pouco e de forma lenta, queria muito estar em Casaínhos (15 km). Dava para correr em terreno plano, mas será que daria para correr em trilhos? E se a dor voltasse a meio da prova e no meio dos montes?
Foi com estes pensamentos que iniciei a prova. Já tinha decidido não forçar absolutamente nada, acabar sem me ressentir da lesão era o objectivo. Nos primeiros 6/7 km corri muito lento, mesmo para trilhos, arrisquei o mínimo possível. Depois, com os km a passar e a sentir-me bem, aumentei um pouco o ritmo, mas sem exagerar. Nas subidas, o receio de me lesionar, esteve sempre presente.
Mesmo com este receio, consegui disfrutar destes trilhos, já não participava em provas há mais de um mês e as saudades eram muitas.
Felizmente correu tudo bem, a dor não apareceu. Tenho pesadelos só de pensar em parar devido a lesão.
Foi a minha estreia nos Trilhos de Casaínhos e gostei muito, o percurso foi duro e a paisagem bonita. É nestes caminhos que eu quero andar, ou melhor, correr e andar de vez em quando.
Ficam aqui algumas fotos que mostram bem o que foi esta prova, espero que gostem.

TRILHOS DE CASAÍNHOS 2013

Até uma próxima!
Bons treinos!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Acabou o descanso, vem aí a nova época de provas

Foi preciso uma chamada de atenção de uma pessoa da blogosfera, para eu me aperceber que estava a negligenciar o blogue. Já não publicava uma mensagem quase há um mês.
Depois de alguns meses dedicados a preparar a minha estreia na maratona, resolvi abrandar o ritmo dos treinos e descansar um pouco. Isso não era razão para deixar de escrever no blogue, mas aconteceu por arrasto. Vou tentar que não volte a acontecer.
Continuei a correr, mas sem pensar em quantos treinos tinha de fazer por semana, em séries, em rampas e treinos longos. O corpo e a mente é que diziam qual a duração do treino, tanto podia correr 3 como 10 km, tudo a um ritmo muito confortável e em locais variados. Gostei desta fase.
Nos dois últimos fins de semana já corri um pouco mais, fui para Monsanto e corri cerca de 20 km em cada treino. O descanso soube bem, mas estes treinos souberam ainda melhor.
Durante estas semanas, realizaram-se várias provas na zona de Lisboa, mas não tive motivação para participar. Claro que ao ler o relato de atletas amigos, surgia uma certa saudade dos dias de corrida, mas depois passava e voltava a preguiça.
Por incrível que pareça, não engordei durante este período, até emagreci um quilo, o que para mim é uma vitória. Depois de correr a maratona percebi que, e se quero correr distâncias ainda maiores, a perda de peso é essencial. Como tal, tenho vindo a ter muito mais cuidado com a alimentação, vamos ver até quando :)

Mas o descanso já lá vai, o entusiasmo pelas provas voltou e em força. Até ao fim do ano, já tenho várias provas marcadas, a maior parte delas fora de estrada.
Em 2014 vou apostar mais em provas de Trail, e há tantas e tão boas, difícil vai ser a escolha. Estou a preparar o calendário de provas, o que me tem dado bastante prazer.
Ando também a tentar melhorar o meu equipamento de Trail, as opções são tantas, os preços tão variados, está a ser difícil. Esta questão tem de ser bem trabalhada.

Este domingo, tenho já a primeira prova da nova época, os Trilhos de Casainhos. Vai ser a minha estreia e estou bastante ansioso pela hora de partida.

Posso desligar um pouco, mas enquanto o corpo deixar, NUNCA vou deixar de correr.
E espero que vocês façam o mesmo.

Boas corridas!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Maratona Rock'n'Roll Lisboa 2013 - A minha estreia nos 42,195 km

No sábado, ao preparar o equipamento, dei por mim a pensar se teria feito tudo bem na preparação desta maratona. Cheguei à conclusão que fiz o suficiente para acabar a prova e não cair para o lado. Nos últimos meses, tinha seguido um plano que incluiu treinos longos ao fim de semana, tinha falado com maratonistas e lido bastante sobre o tema. Além disso, tinha descansado muito nas duas semanas anteriores à prova. Portanto, estava calmo quando me deitei nesse dia. O que não evitou, ter tido dificuldade em adormecer.

No domingo, o plano era acordar cedo, deixar o carro perto da Gare do Oriente, apanhar o metro para o Cais do Sodré e aí o comboio para Cascais. Muita gente fez o mesmo plano.
Correu tudo como o previsto e a viagem de comboio para Cascais foi muito interessante. Eram mais estrangeiros que portugueses. Pelo que me pareceu, a maior parte eram Ingleses, Holandeses e Alemães. Tudo pessoal magro e bem equipado para correr. Fiquei junto a uns Ingleses bem dispostos e fui ouvindo o que diziam. Falaram de outras provas que tinham feito pela Europa e das peripécias aí vividas. E riam muito. E às tantas, já metiam conversa com os Holandeses. A viagem passou num instante.

Chegado a Cascais e ao local da partida, foi fácil avistar as camisolas amarelas do João Lima e da Isa. Como sabem, foi com eles que fiz todos os meus treinos longos. Estavam calmos, tal como eu. A Isa também se estreava na maratona.

 
Falámos um pouco e aproveitámos para a última ida à casa de banho. O João e a Isa iriam fazer a prova juntos, eu tentaria correr um pouco mais rápido.
Aproveitei para ver o aquecimento dos atletas de maior nomeada, os africanos. É quase tudo malta de baixa estatura e muito magra.


O João conhece quase todos os atletas do pelotão, entre eles o grande atleta de Trail, Luís Mota, com quem estivemos um pouco à conversa. Uma pessoa simples e simpática, um verdadeiro Campeão. Também encontrámos o Pedro Carvalho, ia participar na sua segunda maratona e queria baixar das 4 horas.
Já mais perto da hora de partida, encontrámos o Jorge Gois ,que eu já tinha conhecido (através do João) no GP do Atlântico. O Jorge já era maratonista.
Quando já falta muito pouco para o tiro de partida, reparo que o meu Garmin ainda não tinha apanhado o sinal de satélite. É dada a partida e satélite nada. Não acredito nisto, é a minha estreia na maratona e não vou registar o tempo como deve ser. Estava eu todo lixado, quando o Jorge Gois se aproxima e me pergunta que marca estava a pensar fazer. "Epá, se conseguisse fazer 4h30 era espetacular, mas não sei se consigo". Entretanto o relógio lá apanha o satélite, mas já estamos quase no 1º km. Chegados ao km 1, reinicio o cronometro para poder controlar o ritmo/km. Ao menos isso.
O Jorge diz-me que esteve adoentado, treinou pouco, e como não iria dar o seu máximo, ofereceu-se para me acompanhar durante a prova. Como se verá no final, este foi o momento crucial da minha estreia na maratona. Correr acompanhado por um atleta mais experiente, fez toda a diferença.
Nos primeiros km, conversámos muito sobre os cuidados a ter numa maratona. Não se devia forçar muito no início, 42 km não eram brincadeira. A hidratação também era muito importante, não falhar nenhum abastecimento. Levei uma bolsa à cintura com géis, marmelada e uma barra energética, não queria ser apanhado desprevenido.


"Este ritmo está bom para ti?" perguntava o Jorge, eu disse que sim e continuámos a correr a uma média de 6:20/km.
Até aos 10 km, nem reparámos nas placas a informar a distância.
A determinada altura, juntou-se a nós uma atleta conhecida do Jorge, a Sandra Silva.


A Sandra já tinha feito outras maratonas, mas queria fazer esta prova a um ritmo calmo. A conversa e a presença do mar, ajudaram a não dar conta da passagem dos km.
Em Oeiras, fizemos um desvio e a certa altura houve cruzamento dos atletas. Consegui ver a Isa e o João, parecia que estava tudo bem.
Pouco depois, outro atleta conhecido do Jorge se juntou ao grupo. Era o Luís Parro, estava a fazer um treino longo e ao mesmo tempo tirava fotos ao pessoal. Este atleta corre que se farta e é uma companhia bastante alegre. Mais tarde, o Luís foi à vida dele e a Sandra preferiu fazer a prova num ritmo mais controlado. Foram uma boa companhia.
Eu estava a aguentar o ritmo, mas seria assim até ao final?
Nos abastecimentos, bebia alguma água e molhava a cara com a que restava. O calor já apertava.
Aos 18 km, em Caxias, entrámos no passei marítimo e por aí fomos até à Cruz Quebrada.
Durante esta parte do percurso, jovens empunhavam bandeiras de vários Países. Houve muitas nacionalidades nesta prova.
E chegámos a Algés, à marca da meia maratona. Até ali, o nosso ritmo tinha andado sempre entre os 6:10 e os 6:30/km.
O Jorge ia sempre perguntando se estava tudo bem e eu confirmava que sim. Estava bem e não me doía nada. Como previsto, de 5 em 5 km tomava um gel e não tinha nenhum sinal de fraqueza. Mas ainda faltava outra meia maratona.
Penso que foi nesta altura que encontrei a Carla e o Jaime com as suas bicicletas. Este simpático casal não quis faltar com o seu apoio. Muito obrigado aos dois.
Até ao Terreiro do Paço, mantivemos a mesma passada e fomos ultrapassando muitos atletas. Eu sentia-me bem, mas começava a pensar se não estaríamos a exagerar no ritmo. Ainda faltava tanto! E se aparece o tal muro?
A ideia do Jorge era tentar manter este bom ritmo e abrandar um pouco na passagem pelos Restauradores. De facto, o trajeto para os Restauradores convidava a correr de forma mais calma e assim fizemos.
"Agora é que a maratona vai começar" disse o Jorge, 32 km já tinham ficado para trás. O meu maior treino longo, foi exatamente essa distância, agora era tudo novidade para mim.
Nos abastecimentos, começávamos a andar 5 metros antes e só iniciávamos a corrida 10 a 15 metros depois, os poucos segundos que se perdiam eram compensados por uma boa hidratação. Esta indicação do Jorge foi muito importante para nos manter-mos bem hidratados. Nestes abastecimentos já havia bananas e laranja, souberam mesmo bem.
Agora os km demoravam a passar, nunca mais chegava a placa do km seguinte, era a parte mais difícil da prova. Em Santa Apolónia, distraí-me um pouco das dificuldades ao olhar para um enorme navio de cruzeiro que lá estava atracado.
As minhas pernas já não eram as mesmas, estavam mais pesadas e começava a ter dificuldades em acompanhar o ritmo do Jorge. Até aos 40 km vi muitos atletas a bater no tal muro, deitados na berma da estrada e a serem ajudados por outros atletas. Mesmo ao entrar na zona da Expo, vejo um atleta a entrar numa ambulância com a ajuda dos médicos. Já imaginaram, depois de correr 40 km, não ser capaz de dar mais um passo? Não terminar uma maratona, quando se está a menos de 2 km do final? Primeiro está a saúde, claro, mas deve ser uma sensação terrível.
Quase a chegar ao Vasco da Gama, comecei a pensar que se calhar ia conseguir, ia ser maratonista. Em frente ao C. Comercial, estava a Rute. Já tinha corrido a meia maratona, mas voltou para acompanhar os amigos que se estreavam na distância. Correu connosco o último km de prova, um gesto bonito e que não esqueceremos. Obrigado Rute.
Depois de correr os derradeiros 195 metros, corto a meta cansado mas feliz, tinha conseguido terminar a minha 1ª maratona. Recebo a medalha, é bonita e pesada. Quem acaba uma maratona merece uma medalha assim.
Já fora da zona da meta, sou atacado por fortes cãibras, primeiro a perna direita e logo de seguida a esquerda. Nunca me tinha acontecido uma coisa destas, deito-me no chão e sou ajudado de forma a colocar os músculos no lugar. Passado uns minutos, consigo levantar-me mas fico a andar com algumas dificuldades. Posso dizer que tive sorte, atingi o meu limite já depois de passar a meta. Se isto tivesse acontecido aos 37 km, muito dificilmente terminaria a prova.
Entretanto fiquei a saber que o João Lima tinha desistido da sua 2ª maratona devido a problemas intestinais. Foi pena, são situações que podem sempre acontecer. Naquela altura já estava bem. Mas a deceção de ter que desistir, foi largamente suplantada pelo orgulho de ver a Isa terminar a sua 1ª maratona. Ficou provado, se dúvidas houvessem, que ela é uma mulher de fibra. Parabéns Isa.


Como já disse, foi muito importante para mim ter a companhia de um atleta mais experiente. Podia terminar a prova, mas o tempo não seria de certeza 4:29:32.

Por isso, o meu muito obrigado ao Jorge Gois pela grande ajuda que me deu.


Dia 6 de outubro de 2013, foi um dia muito importante para mim. Consegui correr uma maratona. Fiquei a acreditar mais em mim. Se eu me esforçar, eu consigo.


Parabéns a todos os amigos da blogosfera, que participaram na mini, na meia ou na maratona. Todos ganhámos!