quinta-feira, 6 de março de 2014

Maratona de Sevilha

 

Como tinha dito no post anterior, a preparação para esta maratona não foi a melhor, por isso ia correr sem pensar em tempos e acima de tudo, divertir-me nos três dias que passaria em Sevilha. Divertir-me na companhia da namorada e de amigos, uns que também iam correr e outros que iam apoiar.
A viagem para Sevilha correu lindamente, fomos pelo algarve e parámos várias vezes para esticar as pernas e ver alguns locais. Um desses locais foi Isla Antilla, onde almoçámos.
Como podem ver em baixo, a malta estava animada.


A única coisa que estragou o ambiente, foi a notícia de que a  Carla e o Jaime tinham tido problemas com o carro e já não iriam a Sevilha. Foi um choque!
A Carla estava em grande forma e ia de certeza fazer uma grande maratona. Vão haver mais oportunidades, nessa altura já na companhia do Jaime. Mas foi pena.

Chegados a Sevilha e depois de instalados no hotel, logo tratámos do levantamento dos dorsais.

À porta da feira da maratona



Ao entrar na feira da prova, sentia-se a excitação de todos os que iam correr uma maratona no dia seguinte. Não era uma prova qualquer, era uma prova com 42,195 metros e com cerca de 9 mil atletas participantes, quase mil eram Portugueses.

Nuno, Sandra, João, Orlando, eu e a Isa
 
Já com os dorsais, ficámos por lá a visitar os diversos stands presentes. Demorámos um pouco mais no da maratona do Porto, estivemos à conversa com o organizador da prova.
Gostei de o ouvir falar na prova em que vou participar a 2 de novembro.
Estava a ser um grande dia, mas o pessoal já apresentava algum cansaço. Regressámos ao hotel, jantámos e fomos para os quartos descansar.
O pequeno almoço foi às 6.30h da manhã, nessa altura deu para ver que o João não estava nada otimista em relação à sua participação.
Pessoalmente não dormi grande coisa, é sempre assim na véspera das provas.
Depois de um bom pequeno almoço, fomos para o local da partida que ficava algumas centenas de metros afastado do estádio olímpico, local onde estava instalada a meta.
Estava muito frio.
Encontrámos algumas caras conhecidas, tendo em conta o número de Portugueses inscritos, o complicado era não encontrar. É uma sensação muito boa, ouvir falar a nossa língua num país estrangeiro.
 
A minha linda companhia durante toda a prova


Orlando, Isa, eu e João
Estava previsto serem 6 elementos, faltavam a Carla e o Jaime :(


Sandra, Orlando, Isa, eu, João
Nuno
Tiradas as fotos da praxe e feito um pequeno aquecimento, tomámos o nosso lugar na zona da partida.
Não comentei com ninguém, mas nessa altura estava com algumas dúvidas em relação à minha participação. Será que a preparação foi a suficiente para acabar uma maratona? Será que as cãibras que tive na maratona de outubro iriam aparecer novamente? Como ia acompanhar a Isa, não queria fazer má figura :)
Entretanto, começa a prova e depressa esqueci esses pensamentos. Ainda bem.
O que estava mais ou menos previsto era, o Orlando ia à sua vida ( era o mais rápido do grupo), o Nuno e a Sandra fariam a corrida juntos, o João ia fazer a prova a um ritmo que tinha na cabeça (nessa altura ainda não se sabia bem qual era esse ritmo) e eu ia tentar acompanhar a minha Isa.
Passado o primeiro km, eu e a Isa ficámos separados do resto do grupo e colocámos um ritmo bastante calmo. Sempre era uma maratona e nós não tínhamos a preparação ideal. Aproveitámos o momento, estávamos juntos em Sevilha a correr uma maratona. Que maravilha!
O João parecia possuído pelo espirito de um Queniano, foi por ali fora e só muitos km depois é que o voltaríamos a ver. Na altura pareceu uma tática maluca, mas nem tudo o que parece é.
Vimos alguns atletas Portugueses conhecidos, outros não conhecíamos mas meteram conversa connosco. Estava a ser uma festa!
Os primeiros 10 km foram relativamente calmos, a partir daí não sei o que deu à Isa, só queria correr abaixo dos 6 min/km. Eu bem a avisava "Olha que vamos muito rápido, não treinámos para isto", escusado será dizer que não me ligou nenhuma. E lá fui com ela.

Nestas fotos ainda estávamos frescos.

 

Mais ou menos até aos 20 km, o nosso ritmo foi sempre vivo e eu continuava com muitas dúvidas sobre a nossa capacidade de aguentar a coisa. Estávamos bem, o problema é que ainda faltavam mais 22 km.
Perto da meia maratona, vemos ao longe o João a andar, quem é que o mandou correr daquela maneira?
Quando chegámos ao pé dele, estava a dar Hi5 a umas crianças e parecia contente. Disse para continuar-mos que ele estava bem. Assim fizemos.
Daqui até aos 30 km, fomos um pouco abaixo e andámos por algumas vezes. O calor já se fazia sentir com mais intensidade e a nossa hidratação não estava a ser a melhor. Nos abastecimentos, a água era dada em copos, correr e beber por um copo não dá jeito nenhum. Muita água se desperdiçou. A partir de certa altura, passámos a andar nos abastecimentos para poder beber em condições, não podíamos arriscar ficar desidratados. O beneficio foi muito superior aos poucos segundos gastos a andar.

Alguns atletas eram uns autênticos palhaços
A maratona de Sevilha tem muita gente nas ruas a apoiar, mas a partir do km 30 ainda se sentiu mais o apoio do público. E é por essa altura que o apoio é mais preciso.
Ruas cheias de gente a aplaudir e também algumas bandas a tocar musicas bem conhecidas.
Em certos sítios, as pessoas formavam corredores por onde nós passávamos, quase que eramos obrigados a correr mais rápido. Uma sensação incrível!
Corremos em zonas de esplanadas e em jardins. Corremos também pela bonita Praça de Espanha, com as pessoas muito perto dos atletas.
Os populares gritavam "animo, animo", nalguns casos juntavam o nosso nome "animo Isadora" " animo Jaime". Só quando a Isa desata ás gargalhadas é que percebo que aquilo do "animo Jaime" era comigo.

Quem é que  tem um sorriso bonito, quem é?
Claro que sou eu, mas não nesta foto.
E chegámos ao km 40, as pernas já acusavam o esforço. Por esta altura toca o alarme para os meus lados, aparecem pequenos sinais de cãibras. Tenho de andar por algumas vezes, a Isa acompanha-me. Houve alturas em que ela ia pior, agora era eu a estar em dificuldades. Estivemos sempre juntos.

Aqui já estávamos perto do estádio

Entrada para o estádio
Quase a entrar no estádio, a minha perna esquerda é atacada por uma cãibra um pouco mais forte, estamos a umas centenas de metros da meta!!!!
Já dentro do estádio, estico a perna, estico os dedos das mãos e tento aguentar-me, não vou morrer na praia.
A Isa vê o meu sofrimento e dá-me força para continuar "está quase, é já ali". Vai dando para correr, embora não muito rápido. Sei que vamos conseguir.










Damos as mãos e cortamos a meta da nossa primeira maratona, a primeira feita em conjunto. Acabámos a prova com o tempo de 4h39m, uma marca espetacular, tendo em conta o pouco que treinámos.
Isa, adorei todos os metros percorridos a teu lado. Passámos por muitas dificuldades, mas juntos conseguimos ultrapassar tudo. Teremos sempre Sevilha.

Sevilha foi boa para os atletas do grupo, todos terminaram a maratona.
O Orlando chegou perto das 4h de prova, a Sandra (estreia na maratona ) e o Nuno fizeram 4h19m e o João terminou com 5h08m. Quando nos encontrámos, já fora do estádio, era muita a emoção entre todos os elementos do grupo.

Obrigado Mafalda, pela sandes de tortilha, já estava a ficar resmungão com a fome :)

Seis atletas felizes por terem terminado uma maratona
Um pouco mais tarde no hotel, todos os atletas foram presenteados com um bonito troféu da autoria do Nuno.

Este é meu e da Isa.


Obrigado Nuno, pelo bonito troféu.
De tarde tivemos um treino de recuperação, andámos durante 1h30m à procura de um determinado restaurante. Valeu bem a pena, a paella estava uma maravilha. Foi uma bonita confraternização, depois de um grande esforço.

No dia seguinte ainda estávamos um pouco doridos, mas sentimos que a caminhada do dia anterior nos tinha feito bem.
Aproveitámos a manhã para passear por Sevilha, uma cidade que nos deu tanto.


Isa, eu, Mafalda, João, Orlando, Nora, Margarida, Joana, Sandra, Nuno e Ricardo
 
Quero agradecer a todos os amigos desta aventura, foram três dias maravilhosos.
Quero também agradecer ao Jaime, por me ter permitido correr com o seu dorsal. Foi pena  o problema que tiveram com o carro, a Carla ia ter uma grande estreia na maratona.

Um agradecimento especial à Isa, tem sido muito bom correr a seu lado.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sevilha - A minha internacionalização



Tal como prometido, aqui estou a falar da minha primeira prova no estrangeiro, a Maratona de Sevilha.
Primeiro que tudo, tenho que agradecer ao Jaime por me ter facultado o seu dorsal. Infelizmente, isso aconteceu por ele se ter lesionado, uma situação ingrata e de que todos os corredores tem medo. Vou tentar honrar o dorsal.

Desde que comecei a levar a corrida mais a sério que tenho um desejo, poder conhecer outros lugares através da corrida. Já tive oportunidade de conhecer várias localidades e ver que o nosso País tem muito para oferecer. Este ano tenho algumas provas em sítios que não conheço, é um dos requisitos para escolher uma prova.
Mas claro que correr no estrangeiro estava nos meus objectivos, não pensava era que se concretizasse tão depressa. Quando surgiu a oportunidade, agarrei-a com força.
Mas não vou sozinho, vou com um grupo de amigos e a namorada, vou muito bem acompanhado.
A preparação não foi a melhor, por isso vamos de passeio a Sevilha e aproveitamos para correr pelas ruas da cidade, queremos terminar mais uma maratona. E sei que vamos TODOS atingir esse objectivo. Como disse, houve alguns problemas na preparação de vários atletas, mas a nossa determinação vai prevalecer.
Vamos todos ser felizes em Sevilha.

Aproveitem bem o fim de semana, corram e divirtam-se em boa companhia.

Até para a semana, espero que com mais uma maratona no currículo:)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

2º Trail de Bucelas

Bem podia ser o cartaz da prova
 
Em 2013 participei no 1º Trail de Bucelas (12 km), gostei muito e logo me comprometi a participar no ano seguinte. Nesta 2ª edição, depois de ter aumentado as distâncias em trilhos, foi obvia a escolha dos 25 km. 
 
A equipa "4 ao km " esteve bem representada nesta prova, eu, a Isa, a Carla e a Rute. Cada vez mais, em estrada ou em trilhos, lá está a camisola amarela dos "4 ao km".
Esta é uma prova perto de Lisboa e com uma boa organização, por isso é para continuar a participar.
Já participei em provas com os mais variados tipos de piso, este Trail de Bucelas pode ser considerado o Trail da lama. Depois da chuva nos dias anteriores à prova, era previsível o estado do piso. Claro que houve zonas sem lama, mas quando havia lama era mesmo a sério.
A Isa foi a minha companhia durante toda a prova, juntos ultrapassámos todas as dificuldades que nos apareceram pela frente, e foram muitas.
A prova já foi no dia 2 deste mês e muito já foi dito sobre ela, por isso vai haver mais fotos do que palavras.
Aqui vão elas:
 
A Carla, eu e a Isa







 
 

 
 
 
 
 
 





 
 
 
 
Não podia ter melhor companhia
 
Como se pode ver pelas fotos, em certas alturas não havia outra hipótese se não acravar o pé na lama e seguir em frente. Só custa a primeira vez, depois é como se nada fosse.
As fotos não mostram as zonas de maior lamaçal, nessas alturas todo o cuidado era pouco para não escorregar, por isso o telemóvel ia guardado.
Mas nem tudo foi lama, houve partes em que deu para correr e apreciar a bonita paisagem.
Quase no final, ainda tivemos oportunidade de atravessar um ribeiro com água pelos joelhos. Esta parte era bastante esperada e valeu bem a pena.
Foi uma grande aventura, ninguém se aleijou e a diversão esteve sempre presente.  Chegámos à meta com mais de 4 horas de prova, a Isa logo disse que tinha sabido a pouco. É isto o Trail, quando acaba nós queremos mais.
Se tudo correr bem, este ano vai haver muito Trail por este País fora.
 
Até 6ª feira, ainda venho aqui falar da minha primeira corrida no estrangeiro.
 
Continuação de boa semana para todos.
   

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Trilho dos Abutres


Mais uma vez atrasado, cá vai o relato do Trilho dos Abutres.
A Isa quis acompanhar-me a Miranda do Corvo, apesar de não participar na prova. Com a sua companhia, a viagem foi muito mais agradável.
Chegámos já com pouco tempo para levantar o dorsal e fazer o controle. Depois de receber o dorsal e com o controle feito, encontro o Carlos Cardoso, mas o tempo era pouco e não deu para falar muito. Fica para outra prova.


Uma camioneta fez o transporte dos atletas para o local da partida em Vila Nova. Uma viagem curta.
No local da partida, deu para sentir o entusiasmo dos atletas acerca deste Trilho dos Abutres, ouvi o pessoal a dizer que era uma prova muito difícil. Fiquei de pé atrás, mas não havia de ser nada.


Dada a partida, os primeiros km foram feitos em caminhos de terra mais ou menos largos, aqui ainda consegui correr alguma coisa, apesar de algumas subidas.

 
Daqui em diante começam os verdadeiros trilhos, caminhos estreitos e com alguma lama, a exigir muita atenção para não se escorregar.
Aparecem também os primeiros cursos de água, molhamos os pés na primeira de muitas vezes.





A paisagem à nossa volta era linda. Nunca me consigo concentrar só na prova, fico a olhar feito parvo para a beleza destes sítios.
A temperatura estava boa, guardo o corta vento na mochila para ficar mais à vontade.
E começa a escalada, temos de subir por caminhos de rocha e raízes de árvores com a ajuda das mãos. Esta foi a razão porque tirei poucas fotos, tinha as mãos sempre cheias de terra.
A lama tornava o piso muito escorregadio, nesta prova bati o meu record de espalhanços, devo ter batido com o rabo no chão mais de dez vezes, no mínimo.
Quando não havia trilhos estreitos com lama, tínhamos outro tipo de dificuldades, subidas bastante inclinadas que custavam bastante a ultrapassar.





Tudo muito bonito, não é verdade?
Houve alturas que deu para correr um pouco, mas logo surgia uma nova zona para trepar ou um curso de água para atravessar. Havia uns troncos de madeira para ajudar a atravessar os cursos de água, estavam era muito escorregadios e alguns atletas caíram ao tentar passar, felizmente sem consequências de maior.
Durante a prova conheci um atleta de Coimbra, o Tiago Simões. Começámos por falar de dificuldades encontradas noutras provas e acabámos por fazer a prova juntos. O nosso ritmo era mais ou menos o mesmo.
Já falei da água, foi uma constante ao longo da prova. Dava para tirar a lama dos pés e também dava para tirar bonitas fotos.





E os desafios continuavam, em certas zonas havia cordas e correntes para o pessoal se agarrar, tal eram as dificuldades colocadas.
A organização da prova é de qualidade, nas zonas mais perigosas havia sempre alguém da organização ou dos bombeiros para qualquer eventualidade.
Na segunda metade da prova, houve algumas descidas em que deu para correr e melhorar um pouco o tempo de prova. No final de uma dessas descidas, saímos do meio da vegetação e entrámos numa zona aberta em que o vento era forte e frio. Por esta altura cheguei a pensar em vestir o corta vento, mas passados cerca de 200 metros entrámos novamente no quentinho da vegetação. Foi a única altura em que tive muito frio.
Já depois dos 20 km, num dos abastecimentos, fiquei a saber que a prova não seria de 23 km, mas de 25 ou 26 km. Não estava à espera, mas lá teriam que ser feitos. Os abastecimentos estavam muito bem fornecidos, havia laranja, bananas, torradas com mel, coca-cola, água e mais qualquer coisa que agora não me lembro. Foram uns minutos bem gastos.
Os últimos km de prova, já foram feitos por caminhos dentro da povoação. Estávamos esgotados, apesar do piso ser plano, tivemos de andar algumas vezes.
Mas conseguimos chegar à meta sem mazelas de maior, o nosso tempo nos 26 km de prova, foi de 5h22m.

Nós os dois, lá atrás
 
A precisar de um bom banho

Antes da prova, disse à Isa que esperava demorar 4h e pouco, vejam bem a minha ingenuidade.
Falei muito das dificuldades da prova, mas adorei cada km. Foi a prova de trilhos mais difícil que fiz, mas para o ano quero participar outra vez.

Uma palavra para o Tiago Simões, gostei de ter feito grande parte deste desafio na sua companhia.

Como disse no inicio, a Isa fez questão de me acompanhar nesta viagem, passou a manhã a conhecer Miranda do Corvo e a ver a chegada dos atletas mais rápidos. Foi preciso uma grande paciência para aguentar aquelas horas todas. Ao chegar ao pavilhão, gostei muito de olhar para a bancada e de a ver a acenar. Muito obrigado Isa.

Quero ver se durante a próxima semana falo do Trail de Bucelas, outro desafio bastante interessante.

Boa semana para todos!